O Novembro Negro é um mês de memória, resistência e afirmação. Um tempo para celebrar Zumbi dos Palmares, Dandara e todos os que lutaram — e seguem lutando — por liberdade, dignidade e justiça racial.
Mas é também um tempo de dor e denúncia.
Nesta semana, o país assistiu, estarrecido, ao massacre nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro — a operação policial mais letal da história do estado, com mais de 120 mortos. As imagens de corpos amontoados e famílias desesperadas escancaram a face mais cruel do racismo estrutural brasileiro: a naturalização da morte de pessoas negras e periféricas.
Enquanto lembramos Zumbi dos Palmares, símbolo máximo da resistência à escravidão, seguimos vendo o Estado repetir, com novas armas e fardas, a mesma lógica de extermínio. O sangue que correu nas favelas do Rio é o mesmo que escorria nos quilombos atacados há mais de 300 anos.
O massacre no Rio mostra que a ADPF das Favelas, criada para conter a letalidade policial, continua sendo ignorada. Que as vidas negras seguem sendo vistas como descartáveis. Que o país ainda falha em garantir o direito básico de existir.
Neste Novembro Negro, não basta celebrar — é preciso reagir.
É preciso ecoar o grito que vem das periferias, das mães enlutadas, dos movimentos negros e de todos que lutam para que nenhuma vida negra seja esquecida.
Zumbi nos ensinou que resistir é viver.
E viver, para o povo negro, continua sendo um ato político.
Deixe um comentário