As manifestações de domingo (21), realizadas em todas as capitais, deixaram um recado claro: a população rejeita os acordos de autoproteção da elite política e o perdão aos crimes de Jair Bolsonaro. Os protestos, massivos e organizados de forma descentralizada, escancararam a tentativa de setores do Congresso de colocar seus próprios interesses acima da democracia e da vontade popular.
O estopim foi a aprovação da chamada PEC da Blindagem, que tenta dificultar investigações contra parlamentares — principalmente sobre as emendas bilionárias que alimentam o esquema do orçamento secreto — e a votação de urgência para o projeto de anistia a Bolsonaro e seus cúmplices, que atacaram o Estado democrático de direito em 8 de janeiro de 2023.
As duas medidas foram levadas ao plenário pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), num acordo costurado com o Centrão e os bolsonaristas. Esse pacto, articulado por Arthur Lira (PP-AL), foi parte da chantagem que culminou em agosto, quando os grupos sequestraram a pauta legislativa em defesa de Bolsonaro, preso por determinação do STF.
De um lado, o Centrão busca salvar sua própria pele: mais de 80 parlamentares estão sob investigação por corrupção, superfaturamento e desvios ligados a emendas. Do outro, o bolsonarismo quer absolvição para o ex-presidente, condenado política e moralmente pelo golpismo e pela destruição do país.
A estratégia de unir as duas votações, no entanto, se mostrou um desastre. A sociedade respondeu com indignação, e agora até senadores que se mantinham em cima do muro já dão como certo o voto contra a PEC da Blindagem. A anistia, por sua vez, perdeu força, desgastada pela associação com a tentativa de autoproteção dos parlamentares.
Até aliados de Bolsonaro, como o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten, reconheceram que a manobra foi um “tiro no pé”. Na prática, a direita expôs sua verdadeira agenda: proteger corruptos e perdoar golpistas.
A mobilização popular, portanto, já teve efeito concreto: dificultou a aprovação das medidas e mostrou que a sociedade não aceitará retrocessos. O recado das ruas foi direto — não haverá blindagem para corruptos nem anistia para golpistas.
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