Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Bebidas de São José dos Campos e Região

Setor comercial fala em “escassez”, mas problema é exploração e baixos salários

2025-09-29T12:12:18+00:00

Falta de trabalhadores no comércio escancara precarização e baixos salários

Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que 57 das 100 principais profissões do varejo sofrem com a falta de mão de obra. Para a entidade, trata-se da maior escassez em cinco anos. Mas o problema não é “falta de gente” — é a recusa cada vez maior de trabalhadores em aceitar condições precárias.

Baixos salários, alta rotatividade e exploração
No comércio eletrônico, setor que cresceu com a pandemia, a lógica é a mesma: empresas ampliam lucros bilionários, mas não oferecem garantias mínimas para atrair e manter profissionais. A promessa de “benefícios” — como vale-alimentação dobrado em caso de não faltar um único dia — mostra o caráter punitivo e disciplinador dessas medidas. Em vez de melhores salários e direitos, impõem metas e condicionamentos.

Empresas admitem: precisam aumentar salários
O próprio economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, reconhece que os salários de admissão tiveram de subir — em alguns casos quase o dobro da inflação — para tentar conter a evasão de trabalhadores. Profissões como operador de telemarketing, analista de pesquisa de mercado e analista de negócios estão no topo dessa lista. Ainda assim, as condições de trabalho seguem sendo um obstáculo.

Juventude explorada
Empresas de logística também passaram a mirar na juventude como solução para o problema. Mas a aposta em jovens, como Nicolas, que sonha em cursar faculdade de logística, esconde uma realidade: contratos temporários, alta rotatividade e falta de perspectivas de longo prazo. A juventude trabalhadora acaba sendo usada como mão de obra barata para sustentar a engrenagem de lucros crescentes do comércio online.

O que realmente está em falta?
Não faltam trabalhadores no Brasil. O que falta é emprego digno, com salário justo, direitos garantidos e condições humanas de trabalho. Enquanto isso, o setor empresarial tenta tratar como “escassez de mão de obra” o que, na verdade, é a recusa coletiva de viver sob exploração.

Deixe um comentário

Ir para o topo