Um violento terremoto de magnitude 7,7 atingiu Mianmar na sexta-feira (28/03), deixando um rastro de destruição e agravando a crise humanitária em um país já mergulhado em guerra civil e isolamento internacional. Até este domingo (30/03), as autoridades locais confirmaram mais de 1,7 mil mortos, 3,4 mil feridos e cerca de 300 desaparecidos, com números que podem aumentar à medida que os resgates avançam.
O epicentro foi próximo à cidade de Sagaing, região já castigada por conflitos armados, e os tremores foram sentidos até na Tailândia e no sudoeste da China. Em Bangkok, um prédio em construção desabou, matando pelo menos 18 pessoas e deixando dezenas soterradas.
Infraestrutura Colapsada e Resgates em Meio ao Caos
Com aeroportos danificados, estradas interditadas e hospitais destruídos, as equipes de resgate enfrentam obstáculos imensos. Em Mandalay, a segunda maior cidade do país, moradores reviraram escombros com as próprias mãos na tentativa de salvar vítimas, enquanto aguardavam ajuda oficial.
A ONU alertou para a falta crítica de suprimentos médicos, incluindo kits de emergência, sangue e medicamentos. Muitas áreas permanecem sem energia, água ou comunicação, dificultando ainda mais a coordenação de socorro.
Guerra Civil e Isolamento Agravam a Tragédia
Mianmar vive sob uma ditadura militar desde o golpe de 2021, e o governo de junta enfrenta resistência armada em várias regiões. O isolamento internacional e as sanções econômicas deixaram o país com infraestrutura precária, ampliando os estragos do terremoto.
Apesar do cenário desolador, a junta militar, que controla a mídia local, fez um raro apelo por ajuda internacional. China, Rússia, Índia e EUA já enviaram equipes de resgate e suprimentos, mas o acesso às áreas mais afetadas ainda é limitado devido aos combates em curso.
Cessar-Fogo Temporário e Risco de Novas Tragédias
Diante da catástrofe, grupos de resistência anunciaram uma trégua de duas semanas para facilitar os resgates. No entanto, especialistas alertam para novos tremores secundários e riscos de liquefação do solo, que podem causar mais desabamentos.
Enquanto isso, milhares de desabrigados enfrentam fome e doenças, em um país onde 40% da população já vivia abaixo da linha da pobreza. A comunidade internacional tenta acelerar a ajuda, mas o futuro de Mianmar permanece incerto diante de tantas crises simultâneas.
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