Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Bebidas de São José dos Campos e Região

A luta dá resultado: sindicalização volta a crescer no Brasil, após anos de desmontes, trabalhadores voltam a se organizar e fortalecem os sindicatos.

2026-01-05T11:07:02+00:00

Depois de mais de uma década de queda contínua, a taxa de sindicalização no Brasil voltou a crescer em 2024, marcando um importante sinal de reorganização da classe trabalhadora. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo IBGE, por meio da PNAD Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho, 8,9% da população ocupada está associada a sindicatos, o equivalente a 9,1 milhões de trabalhadores.

O avanço interrompe uma sequência de retrações que vinha desde 2012 e ocorre após o pior momento da série histórica, registrado em 2023, quando apenas 8,4% dos ocupados eram sindicalizados. Em números absolutos, o crescimento foi de 812 mil novos sindicalizados em apenas um ano, um aumento de 9,8%.

O dado ganha ainda mais relevância quando analisado à luz dos sucessivos ataques sofridos pelos sindicatos ao longo da última década, especialmente após a reforma trabalhista de 2017, que enfraqueceu o financiamento sindical, ampliou a precarização do trabalho e desorganizou a representação coletiva. A reversão da tendência, ainda que parcial, aponta para um novo momento político e social no país.

Os maiores avanços ocorreram justamente em setores historicamente mais organizados e estratégicos para a luta trabalhista. A Administração Pública, defesa, seguridade social, educação e saúde alcançou taxa de sindicalização de 15,5%, enquanto a Indústria Geral chegou a 11,4%, ambos com crescimento de 1,1 ponto percentual em relação a 2023. Para os pesquisadores do IBGE, esse movimento indica uma possível retomada do protagonismo sindical em segmentos centrais da economia.

Também houve crescimento entre os trabalhadores com carteira assinada no setor privado, cuja taxa passou de 10,1% para 11,2%, e entre os servidores públicos, que atingiram 18,9% de sindicalização. Esses grupos haviam sido os mais afetados pelo desmonte das estruturas de proteção trabalhista nos últimos anos, o que reforça o caráter político da retomada atual.

Outro dado relevante é a redução da desigualdade de gênero na sindicalização. Em 2024, a diferença entre homens e mulheres sindicalizados caiu para apenas 0,4 ponto percentual. No Nordeste, as mulheres já são maioria entre os sindicalizados, com taxa de 10%, superando os homens (8,9%).

Apesar do avanço, os números ainda revelam os impactos profundos da precarização do trabalho. Trabalhadores sem carteira assinada e domésticos seguem com baixíssimos níveis de sindicalização, reflexo direto da informalidade e da fragmentação das relações de trabalho. Ainda assim, o crescimento geral é visto como um sinal de que, diante de um mercado mais aquecido e de melhores condições políticas, os trabalhadores voltam a enxergar no sindicato um instrumento de defesa coletiva.

Especialistas destacam que a retomada da sindicalização pode estar associada tanto ao aumento do emprego formal quanto a esforços dos próprios sindicatos para recuperar credibilidade, ampliar serviços e se reconectar com a base. Mais do que um dado estatístico, o crescimento da sindicalização em 2024 representa uma vitória simbólica e concreta da classe trabalhadora após anos de perdas, apontando para a reconstrução de direitos e da organização popular no Brasil.

Deixe um comentário

Ir para o topo