Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Bebidas de São José dos Campos e Região

Crescimento dos feminicídios revela falhas persistentes no enfrentamento à violência contra mulheres

2026-01-26T02:00:45+00:00

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde a criação da tipificação do crime, em 2015. Foram 1.470 mulheres assassinadas por motivo de gênero ao longo do ano, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número já supera o recorde anterior, de 2024, quando foram contabilizados 1.464 casos, e ainda pode crescer com a atualização dos dados de dezembro do estado de São Paulo.

Na prática, os registros indicam que, em média, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio por dia em 2025. O dado escancara a persistência da violência de gênero no país e evidencia limites das políticas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.

Mesmo sem a consolidação completa dos dados, São Paulo lidera o número absoluto de casos, com 233 registros, seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). A concentração dos casos em grandes estados também aponta para desigualdades regionais na oferta de serviços de proteção, acolhimento e acesso à Justiça.

Criada em 2015, a tipificação do feminicídio representou um avanço no reconhecimento da violência contra as mulheres como um problema estrutural, ligado a desigualdades históricas de gênero, machismo e relações de poder. Naquele primeiro ano, foram registrados 535 casos. Em uma década, o número de feminicídios cresceu 316%, revelando que, embora haja maior visibilidade e registro, a violência segue avançando em ritmo alarmante.

Ao todo, 13.448 mulheres foram assassinadas pelo fato de serem mulheres nos últimos dez anos, uma média de 1.345 crimes por ano. São Paulo (1.774), Minas Gerais (1.641) e Rio Grande do Sul (1.019) concentram os maiores números no período.

Especialistas e movimentos feministas alertam que o enfrentamento ao feminicídio exige políticas públicas integradas, que vão além da repressão penal. Entre as medidas defendidas estão o fortalecimento da rede de atendimento às mulheres, ampliação de casas-abrigo, investimento em educação para a igualdade de gênero, combate à dependência econômica e garantia de orçamento para políticas voltadas às mulheres.

O Sindicato da Alimentação se solidariza com as mulheres vítimas de violência e reafirma seu compromisso com o enfrentamento ao feminicídio e a todas as formas de violência de gênero. A escalada desses crimes no Brasil exige ação coletiva, políticas públicas eficazes e o fortalecimento da rede de proteção às mulheres.

O Sindicato está ao lado das mulheres nessa luta e reforça que denunciar é fundamental para romper o ciclo da violência. Combater a violência contra as mulheres não é uma responsabilidade individual, mas um dever de toda a sociedade, dos empregadores e do poder público.

Diante de qualquer situação de violência, denuncie. Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, ou 190 em casos de emergência. Proteger a vida das mulheres é um compromisso coletivo.

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