A São José dos Campos terá, a partir de 29 de janeiro de 2026, uma nova tarifa de ônibus mais cara. A Prefeitura publicou decreto que eleva o valor da passagem paga em dinheiro e cartões para R$ 6,50, um aumento de mais de 8%, percentual superior à inflação acumulada de 2025, que ficou em torno de 4,25%, segundo o IPCA.
O reajuste atinge diretamente trabalhadores e estudantes que dependem diariamente do transporte público para acessar emprego, escola e serviços básicos. O bilhete comum recarregado pelo próprio usuário passa a custar R$ 5,25 nos dias úteis, enquanto o vale-transporte chega a R$ 6,30. Para estudantes, a tarifa no cartão será de R$ 2,50, e no transporte alternativo, R$ 3,25.
A administração municipal afirma que o aumento é necessário para garantir o “equilíbrio econômico-financeiro” dos contratos e manter a qualidade do serviço. O decreto foi assinado pelo prefeito Anderson Farias Ferreira (PSD).
No entanto, o reajuste ocorre em meio a um crescimento expressivo do subsídio público destinado às empresas de transporte. Apenas em 2025, a Prefeitura repassou R$ 144,7 milhões às concessionárias — um aumento de 66,6% em relação ao ano anterior. Desde o início da política de subsídios, durante a pandemia, já foram transferidos mais de R$ 410 milhões em recursos públicos às empresas que operam o sistema.
Embora a frota tenha aumentado de 324 para 396 ônibus nesse período, o peso da conta segue recaindo sobre quem precisa do transporte para trabalhar. Na prática, mesmo com o aumento dos repasses públicos, o trabalhador é chamado a pagar mais caro para exercer seu direito básico de ir e vir.
Especialistas apontam que subsídios podem ser instrumentos legítimos de política pública, desde que acompanhados de forte controle social, transparência e melhoria efetiva do serviço. Ainda assim, o debate que se coloca é mais amplo: qual deve ser o papel do transporte público nas cidades?
Enquanto diversos municípios brasileiros e cidades ao redor do mundo avançam no debate sobre tarifa zero, entendendo o transporte como um direito social e um investimento coletivo, São José dos Campos opta por um modelo que transfere ao usuário o custo crescente do sistema. Em um contexto de salários pressionados e alto custo de vida, o aumento da passagem representa mais um obstáculo para quem já enfrenta dificuldades para chegar ao trabalho todos os dias.
A discussão sobre mobilidade urbana não pode se limitar a planilhas de custos. Ela precisa considerar justiça social, acesso à cidade e o direito de trabalhadores e estudantes circularem sem que isso comprometa ainda mais sua renda.
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