Trabalhadoras da Atento, em Feira de Santana (BA), denunciaram a adoção de um novo sistema de monitoramento de pausas que, na prática, restringe o acesso ao banheiro fora dos intervalos obrigatórios de lanche e refeição.
Segundo os relatos, ao tentar acionar uma pausa para necessidades fisiológicas, o sistema não reconhece o comando ou libera um bloqueio de apenas alguns segundos, direcionando imediatamente uma nova chamada de atendimento. Supervisores também estariam negando pedidos de liberação, mesmo em situações de urgência.
A medida impõe às trabalhadoras um dilema inaceitável: permanecer no posto de trabalho em desconforto físico ou se ausentar para ir ao banheiro e sofrer punições, como advertências e suspensões. O impacto é ainda mais grave para as mulheres, que possuem necessidades biológicas específicas e não negociáveis.
A prática viola a Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17), que determina que pausas devem ocorrer fora do posto de trabalho e que o acesso ao banheiro não pode ser limitado nem contabilizado como pausa. A Justiça do Trabalho já reconhece, de forma reiterada, que esse tipo de restrição configura prática abusiva e pode gerar indenização por dano moral.
Controlar necessidades humanas básicas não é gestão: é violência institucional e precarização do trabalho. O Sindicato reforça que dignidade não é benefício e que direitos não podem ser substituídos por metas e sistemas automatizados.
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