Depois de meses de pressão de trabalhadores, movimentos sociais e parlamentares, a proposta que prevê o fim da escala 6×1 voltou a avançar no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, encaminhou a PEC 221/2019 para análise das comissões, retirando a matéria da paralisação em que se encontrava desde sua chegada ao Senado, em maio.
A decisão recoloca no centro do debate uma reivindicação que ganhou força em todo o país: trabalhar menos, ter mais tempo de descanso e garantir que a redução da jornada não signifique redução de salário.
A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, distribuída em cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado, acabando com o modelo 6×1. O texto foi aprovado em dois turnos por ampla maioria: 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.
Pressão dos trabalhadores colocou a pauta no Congresso
O avanço da proposta não aconteceu de forma isolada. A discussão sobre a escala 6×1 ganhou força a partir da mobilização de trabalhadores e movimentos que passaram a questionar uma rotina marcada por seis dias consecutivos de trabalho e apenas um dia de descanso.
O movimento Vida Além do Trabalho (VAT) é uma das organizações que vêm pressionando o Congresso pelo avanço da pauta. A mobilização ajudou a transformar o debate sobre jornada em uma discussão nacional sobre qualidade de vida, tempo para a família, saúde e direito ao descanso.
No Senado, a própria Casa já promoveu debates sobre os impactos sociais, econômicos e produtivos da redução da jornada. Em agosto, o senador Paulo Paim voltou a defender a votação da PEC antes das eleições.
Ainda não há data para votação
Apesar do avanço na tramitação, a PEC ainda precisa passar pelas etapas regimentais do Senado. Alcolumbre afirmou que a proposta seguirá o rito ordinário, com análise e aprofundamento nas comissões competentes. Portanto, não há, até o momento, uma data definida para votação em plenário.
O calendário, porém, coloca pressão sobre o Congresso. O Senado programou uma semana de esforço concentrado entre 31 de agosto e 3 de setembro, considerada uma das principais janelas de atividade parlamentar antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Isso significa que existe uma possibilidade de avanço antes das eleições, mas não uma votação já confirmada.
Uma disputa sobre o futuro do trabalho
O debate também envolve diferentes propostas para o futuro da jornada no país. O texto aprovado pela Câmara estabelece 40 horas semanais, cinco dias de trabalho e dois dias de descanso, sem redução salarial. A proposta resultou da discussão entre a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes, e a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton, que defendia uma jornada de 36 horas distribuída em quatro dias de trabalho e três de descanso.
Enquanto setores defendem a redução da jornada como forma de melhorar as condições de vida e distribuir melhor os ganhos de produtividade, também existem propostas alternativas que defendem maior flexibilização das relações de trabalho.
Para os trabalhadores, a questão central permanece: quanto tempo da vida deve ser destinado ao trabalho e quanto tempo deve existir para descanso, convivência familiar, estudo, lazer e participação na sociedade?
A mobilização continua
A chegada da PEC ao Senado representa mais uma etapa de uma disputa que ultrapassa o Congresso. A pressão dos trabalhadores e dos movimentos sociais será determinante para manter o tema na agenda pública e cobrar dos parlamentares uma posição sobre a jornada de trabalho.
Depois de décadas de jornadas extensas, a discussão sobre a 6×1 coloca em debate uma questão fundamental: o desenvolvimento econômico deve servir também para melhorar a vida de quem trabalha.
A proposta agora está nas mãos do Senado. A votação antes das eleições ainda não está garantida, mas a pauta voltou a andar — e a pressão para que o Congresso transforme o fim da 6×1 em realidade continua.
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