Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Bebidas de São José dos Campos e Região

Maternidade vira risco no emprego: 380 mil mulheres demitidas após licença

2026-03-22T23:17:04+00:00

Mais de 380 mil mulheres foram demitidas no Brasil após retornarem da licença-maternidade nos últimos cinco anos, revelando um cenário preocupante de desigualdade e possível discriminação no mercado de trabalho. Os dados, registrados pelo sistema eSocial entre 2020 e 2025, mostram que o desligamento de mães após o período de afastamento é uma realidade frequente e estrutural.

Apesar da legislação garantir estabilidade à gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, muitas trabalhadoras relatam que, na prática, acabam sendo desligadas logo após o fim desse período. A licença-maternidade padrão é de 120 dias, podendo chegar a 180 dias em empresas participantes do Programa Empresa Cidadã — mas sem garantia de permanência no emprego após o retorno.

Casos como o de uma profissional da área da saúde, que foi demitida poucos meses após voltar ao trabalho, ilustram o impacto dessa realidade. “Foi um choque, fiquei sem chão”, relatou. Sem histórico de avaliações negativas, ela acredita que a demissão esteve diretamente ligada ao período em que esteve afastada para cuidar do filho.

Especialistas apontam que o alto número de demissões pode indicar práticas discriminatórias e a ausência de políticas eficazes de apoio à parentalidade dentro das empresas. A falta de medidas como flexibilização de jornada, auxílio-creche e programas estruturados de retorno ao trabalho agrava ainda mais a situação das mulheres.

Além disso, denúncias ao Ministério Público do Trabalho envolvendo discriminação relacionada à maternidade cresceram significativamente nos últimos anos, evidenciando que o problema vai além dos números e reflete um padrão persistente no mercado.

Mesmo com avanços legais, a permanência das mulheres no emprego após a maternidade ainda é um desafio. Para especialistas, garantir direitos formais não é suficiente — é preciso que empresas adotem práticas reais de inclusão e valorização, reconhecendo a maternidade como parte natural da trajetória profissional, e não como um obstáculo.

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