Os trabalhadores da Urbanizadora Municipal (Urbam), em São José dos Campos, seguem em greve neste mês de abril, em um movimento que cresce a cada dia e já atinge diversos setores da empresa. A paralisação, iniciada na semana passada, continua sem previsão de término e depende do avanço nas negociações com a empresa e a Prefeitura.
Desde os primeiros dias de mobilização, a greve tem impactado diretamente serviços essenciais como varrição de ruas, coleta seletiva de lixo e obras públicas. Com o passar dos dias, o movimento se ampliou, alcançando também áreas como manutenção de prédios públicos da saúde e educação, fiscalização, trânsito e a Central 156.
Reivindicações da categoria
Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão:
- Pagamento de adicional de insalubridade;
- Reajuste no vale-alimentação;
- Progressão salarial;
- Fim da coparticipação no convênio médico.
Os trabalhadores denunciam que, especialmente na varrição urbana, há exposição diária a agentes contaminantes, como fezes de animais, além de condições adversas como calor intenso e exposição prolongada ao sol, sem a devida compensação.
Mobilização e denúncias
Ao longo da greve, os trabalhadores têm realizado atos e caminhadas, incluindo manifestações em frente à Prefeitura de São José dos Campos. Na última sexta-feira (17), houve mobilização no Paço Municipal, com presença da Guarda Civil Municipal, o que gerou tensão e discussão com os manifestantes. O sindicato da categoria afirmou que o ato era pacífico e legítimo.
Também foram denunciadas práticas de assédio moral, como o envio de telegramas convocando trabalhadores à sede da empresa sem pauta clara, o que, segundo relatos, teria o objetivo de intimidar e pressionar pelo retorno ao trabalho. As acusações são negadas pela Urbam.

Impasse e mediação judicial
Diante do impasse nas negociações diretas, o caso foi encaminhado ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), que marcou audiência de conciliação para o dia 22 de abril. A Prefeitura foi convocada a participar, considerando seu papel como acionista majoritária da empresa e a relevância dos serviços para a população.
Por decisão judicial, a greve deve manter ao menos 70% do efetivo em atividades essenciais. Ainda assim, os impactos já são sentidos pela população.
Posicionamento da empresa
A Urbam afirma que a greve prejudica os serviços prestados e declarou que o movimento estaria extrapolando os limites legais do direito de greve. A empresa informou ainda que está adotando medidas jurídicas e mantém um plano de contingência para reduzir os impactos.
Segundo dados divulgados pela própria Urbam, cerca de 300 trabalhadores aderiram à paralisação, de um total de mais de 4 mil funcionários.
Solidariedade e apoio à luta
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de São José dos Campos e Região manifesta total solidariedade à greve dos trabalhadores da Urbam. Entendemos que a luta por melhores condições de trabalho, valorização profissional e garantia de direitos é legítima e necessária.
A reivindicação pelo adicional de insalubridade, em especial, evidencia a realidade enfrentada por trabalhadores que diariamente garantem a limpeza urbana e a saúde pública, muitas vezes sem o reconhecimento adequado.
Reforçamos que o direito de greve é um instrumento legítimo da classe trabalhadora e que a solução do conflito passa pelo diálogo sério e pelo atendimento das reivindicações apresentadas.
Seguimos acompanhando o desdobramento das negociações e nos colocamos ao lado dos trabalhadores da Urbam nessa luta por dignidade, respeito e direitos.

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